1 de maio de 2010

Ilha das Flores (I)


O que ainda me surpreende aqui na Alemanha é que a natureza parece ter muito mais "pressa" do que no Brasil. Como o inverno é longo e rigoroso, a chegada da primavera se dá como num passe de mágica: mal a neve some e as flores já "explodem" em cores e formas. Na ilha de Mainau, que visitei recentemente, também é assim. De carro, a viagem a partir de Nürnberg dura quatro horas.

Situada no lago Bodensee, fronteira entre Alemanha, Suíça e Áustria, Mainau é conhecida como "Ilha das Flores" e tem um pouco mais de um quilômetro de comprimento. Como pude conferir, ela faz jus ao apelido: tendo os Alpes como pano de fundo, nesta época florescem por lá 15 mil tulipas e, com a chegada do verão, é a vez das 30 mil roseiras e outro sem-número de flores e plantas exóticas, de todas as partes do mundo. Para isso, além dos jardins e parques ao ar livre, há estufas gigantescas. Numa delas, inclusive, mais de mil borboletas passeiam sobre os turistas.

A ilha é propriedade particular de uma família nobre sueca. A entrada custa cerca de quinze Euros (pouco mais de trinta Reais); há também espaços culturais e gastronômicos. Anualmente, Mainau recebe dois milhões de visitantes. Certamente, cada um deles volta de lá como eu, espantado diante de tanto capricho, tanto por parte da natureza, quanto por parte de quem organiza aquilo tudo. Mainau é um desses lugares em que a câmera fotográfica é imprescindível. Senão, como comprovar aos mais céticos que a gente já pisou no paraíso?

13 de abril de 2010

Políkrates


Hoje eu tenho muito o que fazer. Não sei por onde começar. Na verdade, comecei muitas coisas e não concluí nenhuma; é só olhar minha mesa de trabalho: livros que não guardei, a máquina fotográfica fora do estojo, o calendário ainda com a página do mês passado, um charuto pela metade (viva la revolución!) , uns restos de chocolate, selos comprados para cartões-postais ainda não escritos...
E, nesta semana, ainda tenho prova de grego; a capa amarela do dicionário me alertando aqui do lado (tenho a impressão de que ela logo se tornará vermelha, como um semáforo...). Até agora, todos os mitos gregos que li terminaram em tragédia. Espero que minha nota final seja menos trágica. Para treinar, ali me esperando, o texto que ainda não terminei de traduzir. Por enquanto, só consegui decifrar o título fatídico: "Pode alguém escapar de seu destino?". Pode? Posso tentar, mas, nesse ritmo de meias-coisas, chego apenas até a metade do caminho. Aí a Esfinge me devora.