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da janela do trem

Árvores nuas, mas não mortas. A carcaça de uma fábrica. Abandonada. Uma ponte meio-construída. Abandonada. Duas crianças na estrada estreita. Abanando. Nada. Túnel escuro – com as lanternas brincando de pega-pega. O túnel, num arroto louco, vomita o trem. Para outro túnel logo fazer o contrário. Uma poça d’água tomando banho de sol. E o sol, banhando-se na poça, não se cansa de ser Narciso. E sorve até o último gole de si mesmo. O viaduto que voa sobre a copa das árvores de pêlo arrepiado. Quilômetros de trilhos e pedregulho cinza. Trilho que geme de dor. Dor fria, quando o trem passa. O sol, morto de sede, morre atrás das colinas para nascer no mar. Mas a água do mar não é potável. Maior viagem essa última frase. Viajandando. E as nuvens, hoje, estão sujas. Túúúúúúúnel. Muro alto ao lado da ferrovia para aprisionar o barulho. Do outro lado, o silêncio livre. Uma torre de igreja. “Esperanto” – escrito com letras grossas no muro. Esperando. Espera. Andando.
Nossa,"viajei", dei um passeio pelo trem e quando passou pelo túnel o "tic tac piuí" fez eco em meus ouvidos. Adorei o texto Jaime ;)
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