9 de junho de 2009

cacos


Um dos momentos mais tristes que recordo da minha infância foi ver, pela última vez, minha cachorra Violeta. Nunca mais vi olhos tão tristes como os dela naquele dia. Tristes e profundos, como os de um ser humano que se deixa morrer. É, a morte já estava dentro dela. O mais impressionante e triste foi saber que alguém, por maldade, tinha misturado vidro moído na comida dela. Vidro moído. É, a tristeza daquele dia me fez sentir como se eu também tivesse engolido vidro. Moído. Acho que, desde criança, tenho coração de vidro, moído já inúmeras vezes.

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