Um dos momentos mais tristes que recordo da minha infância foi ver, pela última vez, minha cachorra Violeta. Nunca mais vi olhos tão tristes como os dela naquele dia. Tristes e profundos, como os de um ser humano que se deixa morrer. É, a morte já estava dentro dela. O mais impressionante e triste foi saber que alguém, por maldade, tinha misturado vidro moído na comida dela. Vidro moído. É, a tristeza daquele dia me fez sentir como se eu também tivesse engolido vidro. Moído. Acho que, desde criança, tenho coração de vidro, moído já inúmeras vezes.
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